Basta de Preconceito
segunda-feira, 7 de março de 2011
domingo, 6 de março de 2011
Diversidade sempre, desde a Educação Infantil
Valorizar diferentes raças e gêneros e pessoas com deficiência é trabalho para todo dia. Materiais adequados são um bom aliado nessa tarefa
Ana Rita Martins (novaescola@atleitor.com.br)
Mais sobre diversidade
PROJETOS INSTITUCIONAIS
Diversidade no dia a dia da pré-escola
Respeito à diversidade na escola
REPORTAGENS
Como trabalhar as relações raciais na pré-escola
Um projeto de combate ao racismo
Educação não tem cor
Respeitar as diferenças
Especial
Consciência negra o ano todo
Preconceitos, rótulos, discriminação. É inevitável: desde muito cedo, os pequenos entram em contato com esses discursos negativos. Para que eles saibam lidar com a diferença com sensibilidade e equilíbrio, é preciso que tenham familiaridade com a diversidade - e não apenas em projetos com duração definida ou em datas comemorativas, como ainda é habitual em vários lugares. Outra recomendação importante é que a questão não seja tratada como um conteúdo específico (o que invalida propostas do tipo "bom, turminha, agora vamos todos entender por que é importante respeitar as diferenças").
Melhor que isso é abordar o tema de jeito natural, inserindo-o em práticas diárias, como brincadeiras, leitura e música (leia projeto institucional). "O convívio cotidiano é a forma mais eficaz de trabalhar comportamentos e atitudes", diz Daniela Alonso, psicopedagoga e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.
Para conseguir isso, uma providência essencial é adquirir materiais didáticos que valorizem as diferentes raças, pessoas com deficiências físicas e mental e mostrem meninos e meninas em posição de igualdade. Ao comprar instrumentos musicais, contemple os de diversas culturas.
No caso de brinquedos como bonecas, já existem lojas que se preocupam especialmente em privilegiar a diversidade. A compra de livros pode ser mais difícil: uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas que analisou 33 obras de Língua Portuguesa só encontrou duas meninas não brancas nas ilustrações.
Entretanto, a busca criteriosa e a leitura prévia costumam resolver o problema. Se a turma já estiver em fase de alfabetização, o Guia Nacional de Livros Didáticos, do Ministério da Educação, é a melhor referência - ele garante que as obras recomendadas não contêm situações de discriminação.
Não se pode esquecer que os pequenos aprendem com o exemplo dos adultos. Pensando nisso, a direção da EMEI Aricanduva, em São Paulo, capacitou a equipe para lidar com a diversidade. Antes, só algumas professoras trabalhavam a questão, por meio de projetos específicos. Hoje a diversidade é contemplada em todo o currículo. "Um resultado prático é que, agora, crianças negras que se retratavam como brancas nos desenhos passaram a usar lápis marrom e preto", comemora a coordenadora Cleide Andrade Silva.
Reportagem sugerida pela leitora TUSSARA TEREZA GONÇALVES LUCAS, Belo Horizonte, MG
Ana Rita Martins (novaescola@atleitor.com.br)
Mais sobre diversidade
PROJETOS INSTITUCIONAIS
Diversidade no dia a dia da pré-escola
Respeito à diversidade na escola
REPORTAGENS
Como trabalhar as relações raciais na pré-escola
Um projeto de combate ao racismo
Educação não tem cor
Respeitar as diferenças
Especial
Consciência negra o ano todo
Preconceitos, rótulos, discriminação. É inevitável: desde muito cedo, os pequenos entram em contato com esses discursos negativos. Para que eles saibam lidar com a diferença com sensibilidade e equilíbrio, é preciso que tenham familiaridade com a diversidade - e não apenas em projetos com duração definida ou em datas comemorativas, como ainda é habitual em vários lugares. Outra recomendação importante é que a questão não seja tratada como um conteúdo específico (o que invalida propostas do tipo "bom, turminha, agora vamos todos entender por que é importante respeitar as diferenças").
Melhor que isso é abordar o tema de jeito natural, inserindo-o em práticas diárias, como brincadeiras, leitura e música (leia projeto institucional). "O convívio cotidiano é a forma mais eficaz de trabalhar comportamentos e atitudes", diz Daniela Alonso, psicopedagoga e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.
Para conseguir isso, uma providência essencial é adquirir materiais didáticos que valorizem as diferentes raças, pessoas com deficiências físicas e mental e mostrem meninos e meninas em posição de igualdade. Ao comprar instrumentos musicais, contemple os de diversas culturas.
No caso de brinquedos como bonecas, já existem lojas que se preocupam especialmente em privilegiar a diversidade. A compra de livros pode ser mais difícil: uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas que analisou 33 obras de Língua Portuguesa só encontrou duas meninas não brancas nas ilustrações.
Entretanto, a busca criteriosa e a leitura prévia costumam resolver o problema. Se a turma já estiver em fase de alfabetização, o Guia Nacional de Livros Didáticos, do Ministério da Educação, é a melhor referência - ele garante que as obras recomendadas não contêm situações de discriminação.
Não se pode esquecer que os pequenos aprendem com o exemplo dos adultos. Pensando nisso, a direção da EMEI Aricanduva, em São Paulo, capacitou a equipe para lidar com a diversidade. Antes, só algumas professoras trabalhavam a questão, por meio de projetos específicos. Hoje a diversidade é contemplada em todo o currículo. "Um resultado prático é que, agora, crianças negras que se retratavam como brancas nos desenhos passaram a usar lápis marrom e preto", comemora a coordenadora Cleide Andrade Silva.
Reportagem sugerida pela leitora TUSSARA TEREZA GONÇALVES LUCAS, Belo Horizonte, MG
Diferenças: respeito versus preconceito
Escolas que recebem e educam os alunos, independentemente de origem, orientação sexual ou deficiência, ensinam a todos a viver
Luis Carlos de Menezes (novaescola@atleitor.com.br)
"Aquele que reconhece o valor de alguém pelas batalhas que enfrenta, e não pelo que aparenta, jamais será preconceituoso."
Foto: Marcos Rosa
Mais sobre diversidade
REPORTAGENS
Especial Inclusão
Não ao preconceito
PLANOS DE AULA
Não ao preconceito
Diversidade no dia-a-dia
As demonstrações coletivas de intolerância, desrespeito e violência são sempre chocantes, ainda mais quando atingem os mais frágeis e ocorrem na escola. A discriminação existe em toda parte - nas relações religiosas, esportivas, sexuais, étnicas ou políticas - e dão origem a ódio, conflitos, crimes e guerras. Estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), citado na reportagem da página 76, mostra que também em instituições de ensino há práticas discriminatórias por cor, pobreza, gênero, orientação sexual e, até mesmo, por deficiência física ou intelectual.
Como as crianças não estudam porque são evangélicas ou católicas, orientais ou negras, deficientes físicas ou atletas - mas porque são gente -, a escola deveria ser um espaço de diversidade onde se aprende a conviver com as diferenças. No entanto, é comum pôr em dúvida a possibilidade de essa instituição enfrentar questões difíceis de tratar nos demais espaços sociais. Contudo, com base no que presencio em escolas, posso mostrar que isso, mais que desejável, é possível.
Um exemplo notável me chegou quando leitoras desta coluna - Paula, Daniela e Cristina - escreveram para contar sobre um trabalho com o filme Escritores da Liberdade, que elas conduziam numa unidade da rede pública de São Paulo. Ao visitá-la, fui apresentado à diretora, Cida, e ao Projeto Conviver, que mereceria também ser retratado numa obra cinematográfica. Alunos de 45 classes, seus mestres e a comunidade superaram graves conflitos e criaram um ambiente de compromisso e participação. Os exemplos eram vários: uma garota contou com candura os próprios preconceitos e como se livrou deles. Outra vivia as emoções de um pega-pega em cadeira de rodas empurrada pelo pátio. Um pai observava o filho com paralisia cerebral discutindo a injustiça na derrota do time da escola. Um grupo preparava a peça musical Kisomba para valorizar o convívio étnico-cultural. Soube depois de uma equipe de vôlei composta por afinidade na orientação sexual.
Em outra escola pública que visitei recentemente, o coordenador pedagógico, Daniel, me falou da integração de um jovem transexual que tinha sofrido discriminação em várias outras instituições. Para que fosse bem acolhido, foi decisiva a ação de um grupo de alunos experientes nesse tipo de problema. Por intermédio de Amélia, militante de causas sociais e educacionais, soube do trabalho do Projeto Purpurina, que tem apoiado outras vítimas de segregação.
Eu poderia trazer pelo menos um bom exemplo de superação, em contrapartida a cada grave incidente que vira notícia. Por isso, rejeito a ideia de que a barbárie se instalou na escola em definitivo e que enfrentá-la estaria fora de nosso alcance. Também não concordo com quem imagina que lidar com essas questões é perda de tempo ou traz prejuízo ao ensino regular. Quando se enfrenta a discriminação ou se dá o tratamento adequado a alunos com defasagem, síndromes e deficiências (como mostrado no especial Inclusão, de NOVA ESCOLA), o desempenho de todos melhora, sem contar o ganho maior que é o de conviverem solidariamente e em paz.
Entre as lições centrais, vale lembrar que aquele que reconhece o valor de alguém pelas batalhas que enfrenta, e não pelo que aparenta, jamais será preconceituoso. Da mesma forma, quem percebe que cada um de nós tem o desafio de admitir e afirmar a própria singularidade diante do mundo não faz a crueldade de humilhar alguém por causa disso. A alegria que se sente em instituições em que se respeita e se aprecia a pluralidade, como as que conheci, constitui a melhor razão para aprendermos com elas.
Luis Carlos de Menezes
É físico e educador da Universidade de São Paulo (USP).
Luis Carlos de Menezes (novaescola@atleitor.com.br)
"Aquele que reconhece o valor de alguém pelas batalhas que enfrenta, e não pelo que aparenta, jamais será preconceituoso."
Foto: Marcos Rosa
Mais sobre diversidade
REPORTAGENS
Especial Inclusão
Não ao preconceito
PLANOS DE AULA
Não ao preconceito
Diversidade no dia-a-dia
As demonstrações coletivas de intolerância, desrespeito e violência são sempre chocantes, ainda mais quando atingem os mais frágeis e ocorrem na escola. A discriminação existe em toda parte - nas relações religiosas, esportivas, sexuais, étnicas ou políticas - e dão origem a ódio, conflitos, crimes e guerras. Estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), citado na reportagem da página 76, mostra que também em instituições de ensino há práticas discriminatórias por cor, pobreza, gênero, orientação sexual e, até mesmo, por deficiência física ou intelectual.
Como as crianças não estudam porque são evangélicas ou católicas, orientais ou negras, deficientes físicas ou atletas - mas porque são gente -, a escola deveria ser um espaço de diversidade onde se aprende a conviver com as diferenças. No entanto, é comum pôr em dúvida a possibilidade de essa instituição enfrentar questões difíceis de tratar nos demais espaços sociais. Contudo, com base no que presencio em escolas, posso mostrar que isso, mais que desejável, é possível.
Um exemplo notável me chegou quando leitoras desta coluna - Paula, Daniela e Cristina - escreveram para contar sobre um trabalho com o filme Escritores da Liberdade, que elas conduziam numa unidade da rede pública de São Paulo. Ao visitá-la, fui apresentado à diretora, Cida, e ao Projeto Conviver, que mereceria também ser retratado numa obra cinematográfica. Alunos de 45 classes, seus mestres e a comunidade superaram graves conflitos e criaram um ambiente de compromisso e participação. Os exemplos eram vários: uma garota contou com candura os próprios preconceitos e como se livrou deles. Outra vivia as emoções de um pega-pega em cadeira de rodas empurrada pelo pátio. Um pai observava o filho com paralisia cerebral discutindo a injustiça na derrota do time da escola. Um grupo preparava a peça musical Kisomba para valorizar o convívio étnico-cultural. Soube depois de uma equipe de vôlei composta por afinidade na orientação sexual.
Em outra escola pública que visitei recentemente, o coordenador pedagógico, Daniel, me falou da integração de um jovem transexual que tinha sofrido discriminação em várias outras instituições. Para que fosse bem acolhido, foi decisiva a ação de um grupo de alunos experientes nesse tipo de problema. Por intermédio de Amélia, militante de causas sociais e educacionais, soube do trabalho do Projeto Purpurina, que tem apoiado outras vítimas de segregação.
Eu poderia trazer pelo menos um bom exemplo de superação, em contrapartida a cada grave incidente que vira notícia. Por isso, rejeito a ideia de que a barbárie se instalou na escola em definitivo e que enfrentá-la estaria fora de nosso alcance. Também não concordo com quem imagina que lidar com essas questões é perda de tempo ou traz prejuízo ao ensino regular. Quando se enfrenta a discriminação ou se dá o tratamento adequado a alunos com defasagem, síndromes e deficiências (como mostrado no especial Inclusão, de NOVA ESCOLA), o desempenho de todos melhora, sem contar o ganho maior que é o de conviverem solidariamente e em paz.
Entre as lições centrais, vale lembrar que aquele que reconhece o valor de alguém pelas batalhas que enfrenta, e não pelo que aparenta, jamais será preconceituoso. Da mesma forma, quem percebe que cada um de nós tem o desafio de admitir e afirmar a própria singularidade diante do mundo não faz a crueldade de humilhar alguém por causa disso. A alegria que se sente em instituições em que se respeita e se aprecia a pluralidade, como as que conheci, constitui a melhor razão para aprendermos com elas.
Luis Carlos de Menezes
É físico e educador da Universidade de São Paulo (USP).
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